Porque Deus criou a dor?

“Na tua presença, Senhor, estão os meus desejos todos, e a minha ansiedade não te é oculta. Bate-me excitado o coração, faltam-me as forças, e a luz dos meus olhos, essa mesma já não está comigo.”

Salmos 38:9’10

 

Às vezes vemos a dor como um grande erro divino, num mundo que por outro lado, se mostra impressionante. Porque teria Deus permitido que sua criação ficasse desordenada e a dor passasse a existir no mundo? Se não houvesse injustiças e sofrimentos, seria muito mais fácil para nós respeitarmos a Deus e acreditar nele. Por que não poderia ter Ele criado todas as belezas deste mundo deixando de fora a dor?

 

A respostas para essas perguntas está em um mundo onde não há dor – entre as paredes de um leprosário. Os leprosos não sentem dor física. Porém, é justamente aí que está a tragédia de sua condição. À medida que a doença se alastra, as terminações nervosas que emitem os sinais da dor silenciam. Praticamente toda a deformidade física ocorre porque a vitima da lepra não consegue sentir dor.

 

Certa vez, havia um portador da lepra que havia perdido todos os dedos do pé direito por insistir em usar sapatos apertados, menores do que os que ele precisava usar. Outro chegou quase a perder o polegar por causa de uma ferida que se desenvolveu em decorrência da força com que ele segurava o cabo de um esfregão. Muitos ficam cegos em virtude de a lepra ter silenciado as células da dor, cuja função era alerta-los no momento em que piscassem.

 

Isso nos mostra que, em mil e um aspectos, grandes e pequenos, a dor nos é útil a cada dia. Enquanto formos saudáveis, as células da dor nos alertarão sobre quando devemos trocar os sapatos, sobre quando devemos segurar com menos força o cabo de um esfregão, ou quando precisamos piscar. Enfim, a dor nos permite levar uma vida ativa livre e ativa.

 

Sem os sinais da dor, a maioria dos esportes seria demasiadamente arriscada. Sem a dor, não haveria sexo, uma vez que o prazer sexual é transmitido principalmente pelas células da dor. Sem a dor, a arte e a cultura seriam muito limitadas. Musicistas, dançarinos, pintores e escultores, todos dependem da sensibilidade do corpo à dor e à pressão. Um guitarrista, por exemplo, precisa sentir exatamente a posição de seus dedos nas cordas e a pressão exercida sobre elas. Sem a dor, nossas vidas estariam correndo constantes perigos fatais. Não receberíamos, por exemplo, o aviso de um apêndice supurado, de um enfarto ou de um tumor cerebral.

 

Em suma, a dor é essencial à preservação da vida normal neste planeta. Não se trata de uma inovação inventada por Deus no último instante da criação só para tornar infeliz a vida das pessoas. Nem se constitui ela num grande erro do Criador. Vemos então na incrível rede de milhões de sensores da dor existentes por todo o corpo humano, precisamente adaptados à nossa necessidade de proteção, um exemplo da competência de Deus, e não de sua incompetência.

 

 

Extraído de “Quando a Vida nos Machuca” – Philip Yancey

 

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